Coletivo Estopô Balaio faz curta temporada de “Carta 1 – A infância, promessa de mãe” no Teatro de Contêiner

Na foto os atores do Coletivo Estopô Balaio e Martha Zelaya ao centro

Foto: Lúcio Telles

Até o dia 06 de agosto de 2019, o Coletivo Estopô Balaio volta em temporada com o espetáculo “Carta 1 – A infância, promessa de mãe”, com direção de João.Junior e Juão Nyn, no Teatro de Contêiner Mungunzá (R. dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia, São Paulo/ SP).Durante três anos, o Coletivo Estopô Balaio escreveu cartas na Estação Brás da CPTM, em SP, e lá, em busca da realização de um sonho, apareceu Martha Zelaya, uma imigrante boliviana que queria escrever para um programa de televisão para conseguir cortar e vender o cabelo do filho. Carta 1: A infância, Promessa de Mãe é um biodrama, parte integrante do tríptico teatral Nos Trilhos Abertos de Um Leste Migrante, fruto desse trabalho de escrita de cartas do Coletivo e traz a história de Martha e Erick protagonizando eles próprios suas vidas em cena. A montagem teatral teve estreia em 2017.

Sinopse

O espetáculo narra a trajetória de uma mãe e do seu filho a partir da sua busca por pertencimento e construção de sua autoestima a partir do enfrentamento dos valores identitários da cultura ao qual está inserido como filho de imigrantes bolivianos.

A peça põe em cena Erick, que com 12 anos nunca havia cortado o cabelo por promessa feita por sua mãe Martha, imigrante boliviana, que como muitos foi vítima dos movimentos migratórios em busca de mobilidade econômica e melhorias de vida.

“Carta 1 – A infância, promessa de mãe”

A “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe” traz a história de Erick, filho de bolivianos. Já no Brasil, Martha, sua mãe, escreveu uma carta para seu pai (avô de Erick, que estava doente na Bolívia). Martha, com o desejo de rever seu pai na Bolívia, fez a promessa de não cortar o cabelo do filho pequeno enquanto não pudesse voltar ao seu país natal e rever seu pai, para que ele mesmo pudesse cortar o cabelo de Erick. Essa prática cultural boliviana – em que alguém mais velho corta o cabelo da criança e dá a ela um presente – não levava em conta as dificuldades financeiras de Martha voltar à Bolívia e o tempo passou, sem que ela conseguisse cumprir a promessa. O cabelo do menino alcançou um tamanho gigantesco, o que gerou problemas na escola, no bairro e na vida social do garoto.

Quando finalmente a mãe de Erick conseguiu voltar ao seu país com o menino, o avô de Erick não se achou à altura de cumprir a promessa e não cortou o cabelo do neto. Foi então que Erick teve a ideia de oferecer sua história para um programa da TV aberta: o cabelo imenso (media cerca de 1,20m) poderia resolver parte dos problemas financeiros da família. E assim foi que o garoto expôs sua história na TV e conseguiu reformar seu quarto.

A história de Erick se entrelaça com o jogo geopolítico existente entre os países da América Latina e suas relações comerciais, afetivas e de poder. De maneira bem-humorada, Erick e Martha propõem uma reflexão sobre os problemas enfrentados pelos cidadãos latino-americanos: das promessas de lucro fácil (na imigração para o Brasil), à realidade da semiescravidão do setor têxtil, tudo é demasiado real e cruel nessa relação de irmandade com os vizinhos brasileiros.

Coletivo Estopô Balaio

O Estopô Balaio é um coletivo de artistas formado em 2011 na cidade de São Paulo que conta em sua maioria com a participação de artistas migrantes. É por esta condição de vida, a de um ser migrante, que o coletivo se reuniu, no desejo de aferir um olhar sobre a prática artística encontrando como estrangeiros a distância necessária para enxergar o olhar de destino e dos seus desejos.

A distância geográfica das lembranças e paisagens dos integrantes levaram a uma tentativa inútil na busca por pertencimento à capital paulista. Era preciso reinventá-la para poder praticá-la. Na busca pelo lugar perdido da memória, eles seguiram para fora e à medida que se distanciavam de um tipo de cidade localizada em seu centro geográfico, foram se aproximando de outras cidades, de outros modos de vida e de novos compartilhamentos.

O cinturão periférico da cidade no seu vetor leste revelou um pedaço daquilo que tinha ficado para trás. Havia um Nordeste em São Paulo que estava escondido das grandes avenidas e dos prédios altos do centro paulistano. O Jardim Romano é um pedaço do cinturão periférico que guarda lembranças alijadas da construção histórica da cidade-império.

Os edifícios que arranham o céu ajudam a esconder e afastar um contingente populacional que não consegue se inserir nos apartamentos construídos em novos condomínios. A memória partilhada nos seis anos de residência artística no Jardim Romano são as de estrangeiros de um lugar distante e a destes pequenos deuses alagados de uma cidade submersa pelo esquecimento.

O encontro com o bairro Jardim Romano se deu num processo de identificação, pois a maioria de seus moradores são também migrantes nordestinos que fincaram suas histórias de vida nos rincões da capital paulista. O alagamento do Jardim Romano era real, oriundo da expansão desordenada da cidade, o do coletivo era simbólico, originário da distância e saudade daquilo que deixaram para trás.

O Estopô Balaio traçou no final de 2016 possibilidades para a expansão do seu território cultural. Para tanto, iniciou o projeto “Nos trilhos abertos de um leste migrante” que se estabelece no encontro e no afeto com outros bairros da zona leste de São Paulo.  O Jardim Romano segue com atividades constantes na sede do Coletivo, a Casa Balaio, com saraus, apresentações de espetáculos, oficinas de teatro, projeções de filmes, entre outras.

Ficha Técnica

Encenação: João.Júnior

Direção: João.Júnior e Juão Nyn

Biografados: Erick Zelaya e Marta Zelaya

Elenco: Ailton Barros, Adrielle Rezende, Amanda Preisig, Ana Carolina Marinho, Anna Zêpa, Bárbara Santos, Bastian Thurner, Bruno Fuziwara, Carol Piñeiro, Gustavo Vicente, Júlio Lorosh, Romário Oliveira e Tatiana Caltabiano

Técnico de Som e Palco: Flávio Bittencourt

Técnico de Luz: Rodrigo Silbat

Videomapping: Flávio Barollo

Contrarregra: Tay Martines e Clayton Mendes

Assistente de Produção: Wemerson Nunes

Direção de Produção: Anna Zêpa

Produção: Coletivo Estopô Balaio

Serviço

Até 06 de agosto de 2019

Segundas e terças, às 20h.
Teatro de Contêiner Mungunzá
R. dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia – São Paulo

Tel.: (11) 97632-7852
Capacidade: 99 lugares | Livre

Ingressos*: R$30 (Inteira)/ R$15 (Meia)

*Pré-venda de ingressos em https://www.kickante.com.br/campanhas/temporada-do-espetaculo-carta-01

E no local, 1h antes do espetáculo.

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