Consumidores digitais e sustentáveis transformaram a cadeia logística

*Por Luciana Lacerda

Os últimos dois anos – principalmente com a crise advinda da pandemia do coronavírus – mo ao mundo o quanto a digitalização e a transformação digital são impactantes para toda uma sociedade. Dados de um estudo da Nielsen apontam que o e-commerce brasileiro terá um crescimento de 26% em 2021 e suas transações poderão totalizar, aproximadamente, R$ 110 bilhões. Isso engloba não apenas as grandes redes varejistas e supermercadistas, mas também o pequeno comércio, reflexo dos canais online procurados pelos consumidores.

Além da conveniência e agilidade nos processos, o novo consumidor está atendo às questões que envolvem sustentabilidade e exigem, cada vez mais, modelos logísticos econômicos e sustentáveis, o que indica que um gerenciamento responsável da cadeia de suprimentos tem grande impacto nas emissões de carbono. O Fórum Econômico Mundial estima que as operações logísticas respondem por algo em torno de 50% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Com essa análise, os operadores logísticos passaram a avaliar as operações e concluíram que reduzir os danos ao meio ambiente é importante não apenas pelo aspecto social, mas também comercial. A partir disso, constatou-se que a cooperação entre indústrias, empresas logísticas e órgãos públicos é fundamental para que os serviços de logística urbana sejam cada vez mais sustentáveis.

Em todas as empresas e setores, o aprendizado fundamental para o futuro está relacionado ao aumento da resiliência da cadeia de abastecimento e ao reconhecimento de que, apesar de todas as questões econômicas, a transformação do perfil de consumo veio para ficar. O omnichannel, atualmente, fluidifica a experiência de compra. O uso massivo de dados, realidade virtual, personalização da experiência de compra e processos sustentáveis com baixo impacto ao meio ambiente são as novas diretrizes que o consumidor procura ao efetuar uma compra. Em razão disso, é fundamental o envolvimento dos operadores logísticos em questões ambientes para fins de monitoramento e para desenvolver processos mais eficientes.

Experiências on-line e offline não mais coabitam, mas se fundiram. A loja física já se digitalizou e agora aposta no sensorial, no lúdico, no envolvente, nas questões sociais e ambientais. Tudo isso completamente interligado, pois é a chave para alcançar um consumidor cada vez mais volátil e exigente.

Os consumidores não querem apenas uma entrega rápida e gratuita, eles também desejam o máximo de conveniência. Com as populações cada vez mais urbanas, a cadeia produtiva precisa assumir um novo modelo sustentável, fornecendo a flexibilidade e a reatividade exigidas, sobretudo, com a adoção de formas de transporte mais ecológicas e automatizadas.

A ascensão cada vez maior do phygital (físico e digital) ilustra perfeitamente a revolução do varejo. Hoje, ser capaz de entregar tudo imediatamente e em qualquer lugar é crucial para fazer a diferença. Com a saturação do espaço urbano e a intensificação dos fluxos logísticos, principalmente, com o boom do e-commerce, as grandes cidades e empresas de logística precisam coordenar suas ações e repensar a abordagem em relação à distribuição urbana. Isso é ainda mais crucial dentro de um cenário com consumidores hiperdigitalizados e ecologicamente corretos.

*Luciana Lacerda é diretora de operações da FM Logistic do Brasil

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