Comitiva de Ifé visita Associação Comunitária Monte Azul em São Paulo

 

 

A comitiva nigeriana do Palácio de Ifé que está visitando o Brasil neste mês dedicado a debater as questões que envolvem a consciência negra, esteve na Associação Comunitária Monte Azul, em São Paulo, para apresentar a palestra “Ervas, Saúde e Ifá” que foi proferida pelo Babalawo Dr. White.

A intenção dos organizadores foi possibilitar uma troca de conhecimentos com os membros da comunidade sobre a medicina natural.

A Associação Monte Azul foi fundada da década de 1970, na zona sul da capital paulista, e atende mais de 3.000 moradores. A associação é voltada para os ensinamentos antroposóficos e tem como foco o desenvolvimento integral do ser humano.

Inicialmente, a comitiva realizou uma visita monitorada pelo centro do Núcleo Monte Azul e, em seguida, a palestra ocorreu no Centro Cultural Monte Azul. Na ocasião, membros da comunidade, de idades diversas, puderam interagir e obter informações sobre o tema abordado na palestra. Em discurso os abalawos Dr. White e Adekunle Olokooba acrescentaram “tudo o que a ciência não explica, as ervas curam ou respondem”.

Já  alemã Utre E. Ludivic Craemer, uma das fundadoras da Associação Comunitária Monte Azul que estava presente ressaltou: “A base de todo nosso trabalho é ciência espiritual com uma visão antroposófica, a mesma que foi falada aqui. Temos muita ligação com países como Japão, Austrália, Nova Zelândia, mas no fundo estas ligações sempre têm origem espiritual, cada uma com a sua palavra. Como foi dito por eles, os intercâmbios entre pessoas de culturas diferentes são fundamentais para ampliarmos nossa visão e percepção dos outros. Cada cultura tem sua cor, seu jeito de ser, mas no fundo todas têm uma origem em comum. Nenhuma cultura é melhor ou pior que a outra, são só diferentes. Dentro do mundo atual precisamos entender a cultura uns dos outros. Entender que, espiritualmente, todos partimos da mesma origem. Um evento como esse, entre Brasil e Nigéria, é muito importante pra termos essa vivência”, conclui.

Entre os presentes havia também adolescentes moradores da comunidade como Stephane Ribeiro da Silva, estudante de 15 anos que disse: “Estou muito impressionada por eles terem vindo de tão longe para falar com a gente. Sinto-me muito honrada. Me considero da etnia negra e não sabia que havia reis e rainhas africanos, mas sobre a escravidão eu sempre soube sim”, observou.

Já outro jovem, Pedro Henrique Santos, de 17 anos, disse ter achado a palestra muito interessante. Ele também acrescentou “Aqui no Brasil não temos muito contato com o uso de ervas medicinais. Só conhecemos a ciência ensinada na escola que não trata disso, é interessante conhecer o outro lado da medicina”, concluiu.

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