Volta às aulas – a desatenção dos alunos pode ser causada por problemas no ouvido

Dra. Tanit Ganz Sanchez – médica otorrinolaringologista explica porque é fundamental observar detalhes nas crianças, como tampar os ouvidos com as mãos, medo de altura e falta de atenção.

Após todo esse período de isolamento social e aulas online, a volta às aulas é um período em que papais, mamães e professores precisam ficar muito atentos a sinais que as crianças emitem. Algumas diferenças comportamentais podem estar associadas aos problemas auditivos, como Hipersensibilidade Auditiva (Misofonia, Hiperacusia), Tontura e Zumbido.

Assim, sabendo que o bom funcionamento do ouvido é fundamental para que a criança consiga captar e se conectar com informações dos diferentes ambientes, fica fácil entender porque o desempenho nas atividades do dia-a-dia pode ficar comprometido.

Normalmente, as crianças que apresentam algum problema no ouvido tendem ao isolamento e optam por não brincar com outras crianças. Algumas que apresentam tontura por problemas no labirinto fazem xixi na cama porque receiam levantar para ir ao banheiro. Também é importante lembrar que esses os problemas do ouvido aparecem mais disfarçados nas crianças do que em adultos, principalmente os de labirinto. Muitas vezes eles estão associados a erros alimentares, alergia ou infecções no ouvido”, explica a Profa  Dra. Tanit Ganz Sanchez.

A criança que apresenta tontura pode parecer desatenta, pois faz esforço para buscar uma posição mais confortável para amenizar o problema. Aquelas crianças que não atendem aos chamados dos pais ou professores podem ter  zumbido no ouvido e até algum grau de perda auditiva. “O zumbido é um barulho persistente que pode ser comparado ao som de apitos, chiados, insetos, dentre outros. Frequentemente causado pela exposição dos ouvidos das crianças a sons muito altos, cada vez mais cedo, também pode ocorrer por erros alimentares, infecções do ouvido ou a problemas na cervical ou na arcada dentária”, complementa a especialista.

A Hipersensibilidade Auditiva também é mais comum do que se imagina nas crianças, mas os pais frequentemente acham que é “frescura” ou que os filhos estão querendo chamar atenção. “Por mais que seja natural que os sons altos incomodem mais do que os sons baixos, crianças com hipersensibilidade auditiva já começam a se incomodar com sons mais baixos do que 95 decibel (dB). Para se ter uma noção, uma conversa em volume normal alcança cerca de 65-70dB.” 

Para identificar se a criança apresenta algum problema auditivo é necessário ficar atento a algumas situações: “Observar se a criança faz xixi na cama, se é desatenta ou hiperativa, se apresenta medo de altura, não gosta de colo nem de  brincadeiras de girar, subir e descer ou ainda, se tampa os ouvidos com as mãos em locais barulhentos ou até pede para ir embora”, explica a médica.

Acompanhe quais os sinais que indicam problemas auditivos nas crianças:

– A criança não reage a barulhos fortes;
– Não atende quando é chamado pelo nome;
– Pede para aumentar o som da TV, computador ou telefone com frequência;
– Se mostra “avoada”;
– Apresenta dificuldade em manter a atenção;
– Parece irritada e dificilmente faz vínculos com outras crianças;
– Prefere brincar sozinha;
– Apresenta dificuldade na alfabetização;
– Troca de fonemas na escrita;
– Apresenta dificuldade de aprendizado em geral.

O ouvido é um órgão de respostas sutis e precoces; seus sintomas não matam, mas ele é um dos primeiros a mostrar que algo não está bem. Por isso, prestem muito atenção no dia a dia das crianças e em caso de qualquer diferença de comportamento, procure o especialista.

Sobre a Dra. Tanit Ganz Sanchez:

Médica Otorrinolaringologista formada pela Universidade de São Paulo;

Profa. Livre Docente e Associada da Otorrinolaringologia da Universidade de São Paulo

Orientadora de pós-graduação da Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo;

Pesquisadora dos incômodos dos ouvidos há mais de 25 anos, reconhecida internacionalmente como referência para assuntos relacionados sobre a “Quadrilha do Ouvido;

Fundadora e Diretora do Instituto Ganz Sanchez que há mais de 10 anos que é direcionado exclusivamente ao estudo e atendimento de pessoas com Zumbido, Misofonia e Hiperacusia;

Criadora e coordenadora do: – GANZ: Grupo de Apoio Nacional a Pessoas com Zumbido;

Idealizadora do Novembro Laranja (Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido); –

Idealizadora da TV Zumbido (www.tvzumbido.com.br);

Blitz do Ouvido (no Programa Bem Estar Global)

Membro da ABORL-CCF;

Membro do Corpo Editorial das revistas científicas: Clinics, International Archives of Otorhinolaryngology e Brazilian Journal of Otorhinolaryngology;

Pesquisadora incansável sobre o comportamento humano e seus desdobramentos em saúde.

www.institutoganzsanchez.com.br

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