Será que eu já tive Covid?

A otorrinolaringologista Milena Costa explica as particularidades dos exames que detectam o vírus mesmo para quem não apresenta sintomas

 

Os testes rápidos para diagnóstico do Covid-19 foram liberados esta semana para serem feitos em farmácias. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a utilização de testes rápidos – realizados por meio da coleta de uma gota de sangue do dedo – temporariamente e em caráter excepcional.

É uma boa notícia porque aumenta o acesso da população ao diagnóstico do Covid. No entanto, de acordo com a otorrinolaringologista Milena Costa, o teste rápido nem sempre tem resultado preciso.  “Se a pessoa tem sintomas, fizer o teste rápido e der negativo, é importante rever”, diz ela.

Milena afirma que os testes PCR e de sorologia – feitos através da coleta sangue em laboratórios e em hospitais – são os mais confiáveis até o momento. “Mesmo assim, é importante ter orientação do médico para saber a hora certa de testar, que varia com o tempo de evolução dos sintomas”, afirma ela. Milena detalha mais sobre os exames:

–  RT-PCR: O teste é feito por meio de um “swab” (cotonete) no nariz e na garganta do paciente. Com a mostra, será pesquisado o RNA do vírus. Ou seja, o RNA será transformado em DNA e os equipamentos específicos são capazes de identificar a presença do vírus. A coleta deve ser feita idealmente entre o 3º e 10º dias após o início dos sintomas. “Depois disso, a quantidade de RNA diminui”, diz Milena. O teste aponta para a presença do vírus no organismo e por isso é bastante importante para que o especialista tome as medidas necessárias em relação ao paciente.

– Sorologia: O exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente. É feito por meio da detecção de anticorpos, ou seja, detecta a resposta imunológica do organismo em pessoas que foram expostas ao vírus. O ideal é fazer o exame dez dias após o início dos sintomas, pois a produção de anticorpos só acontece depois de um período mínimo de exposição ao vírus.

O teste também é indicado para assintomáticos ou para aqueles que apresentaram sintomas leves e desejam saber se foram infectados. “Cerca de 80% dos pacientes se enquadram nesse grupo (assintomáticos ou pouco sintomáticos). Durante a liberação do isolamento pelas autoridades competentes, esse exame será fundamental para melhor planejamento da parcela da população que poderá, até onde sabemos, se expor com maior segurança”.

-Teste rápido: esse exame detecta da mesma forma, a presença de anticorpos contra o SARS-Cov-2, entretanto é feito com uma gota de sangue colhida da ponta do dedo que é então levada a um dispositivo semelhante aos testes de gravidez e liberam o resultado em cerca de 5 minutos. Embora muito promissor, existem muitas marcas disponíveis, com preços e eficácia distintas. “Devido à demanda urgente por testes como esses, houve a liberação da importação pela Anvisa sem a validação prévia da eficácia de cada empresa produtora dos testes. Os resultados ainda são muito variáveis e necessitam ainda de melhor validação de sua eficácia”, diz Milena.

Sobre a Dra. Milena Costa

Médica otorrinolaringologista formada pela Faculdade de Medicina de Taubaté, com residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e fellowship de pesquisa em Rinologia pela Stanford University, na Califórnia.

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