Procedimentos estéticos sem bisturi não são inofensivos

O conhecimento da anatomia, uma boa formação médica e habilitação são fundamentais para o sucesso

Os procedimentos estéticos menos invasivos, sem bisturi, parecem ser realmente eficientes e vem atraindo muitos pacientes. Os motivos vão desde o preço, à praticidade e a um propalado “menor risco”, tanto com relação à anestesia, como com relação a efeitos finais indesejados. No entanto, esses procedimentos não são inofensivos e precisam ser realizados por médicos habilitados para tal. O conhecimento perfeito da anatomia é fundamental.

Quem faz o alerta é o Prof. Dr. Flavio Hojaij, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, Professor do Laboratório de Anatomia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“Os procedimentos estéticos com preenchedores (geralmente o ácido hialurônico) ou uso da toxina botulínica demandam um profissional com grande conhecimento de anatomia, treinamento e bases fisiopatológicas sobre as complicações. Ao colocar uma agulha ou cânula na face, pode haver lesões de vasos e nervos. Se o preenchedor for colocado em local não adequado, pode levar a complicações indescritíveis. Desde uma pequena alteração na pele – que já traz um dano estético – até mesmo a perda cutânea do nariz, por exemplo, ou mesmo levar à cegueira. Isso porque se o preenchedor entrar no tecido gorduroso da órbita ocular (por exemplo), pode comprimir o nervo ótico e causar a cegueira”, explica o Dr. Hojaij.

Ele lembra que essa é uma grande preocupação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), que vem promovendo inúmeros cursos e workshops sobre o tema. O Dr. Flavio Hojaij tem sido convidado a colaborar em aulas de anatomia – como nos Cursos de Anatomia Aplicada da SBCD -, ou ainda em outros cursos, como foi o MIA, na penúltima semana de novembro.

“A SBCD está muito preocupada com a formação de profissionais que estejam habilitados para esses procedimentos de preenchimento. Conhecer a anatomia da face é fundamental, assim como conhecer e saber como tratar as complicações”, observa o professor, que aconselha a pessoa que quer se submeter a esses tipos de procedimentos estéticos a escolher um profissional médico habilitado. “Caso contrário o paciente poderá colher complicações absolutamente indesejáveis”, conclui o Dr. Flavio Hojaij, que também é Secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

O Médico

O Dr. Flavio Hojaij é Professor Doutor, Livre Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e é credenciado nos principais hospitais de São Paulo, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital São Luiz e Hospital BP Mirante. Foi Professor Visitante do Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Também é Secretário da SBCCP e atua em campanhas públicas para a população, como o “Programa Corujão da Saúde”, da Prefeitura da Cidade de São Paulo, quando são operados, em horários alternativos, centenas de pacientes agendados pelo sistema público.

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