Obesidade aumenta risco para 14 tipos de câncer, alerta professor da Unifesp

O oncologista Ramon Andrade de Mello alerta para os hábitos sedentários e alimentação irregular durante a pandemia

A pandemia do novo coronavírus alterou o comportamento de uma grande parcela da população. A vida sedentária em casa e uma alimentação irregular têm levado o aumento de peso de muitas pessoas. “Esses novos hábitos trazem tanto riscos para doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, quanto para 14 tipos de câncer”, alerta Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

“O aumento de peso vem sendo um problema que está se disseminando em toda a população brasileira nos últimos anos. Precisamos ficar atentos para atividades físicas regulares e hábitos alimentares saudáveis”, orienta o oncologista. Dados do estudo Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), de 2019, revelam que a obesidade passou de 11,8% da população brasileira, em 2006, para 20,3% em 2019, uma alta de 72%. Já o excesso de peso é registrado em 55,4% dos brasileiros.

“Mesmo durante a pandemia, é possível desenvolver alguma atividade física, como dispensar o elevador e subir os andares pelas escadas. A recomendação é fazer atividades em, pelo menos, três vezes por semana”, esclarece o médico. Segundo ele, a obesidade elava os riscos de câncer porque o tecido gorduroso aumenta a produção do hormônio estrogênio e pode estar relacionado com um estado inflamatório sistêmico no indivíduo. Nos homens, a maior incidência é de câncer de cólon, de próstata e fígado. Nas mulheres, aparecem os tumores na mama e endométrio. Além disso, câncer de esôfago, intestino, reto, rins e pâncreas podem ter relação direta com a obesidade.

Além de atividades físicas, Ramon Andrade de Mello lembra da importância de uma alimentação equilibrada, evitando principalmente os alimentos processados. “É preciso dar prioridade para os vegetais como brócolis, que é rico em antioxidante e ajuda no emagrecimento. Já entre as frutas, a maçã colabora muito para a digestão”, pontua o professor da Unifesp.

Sobre Ramon Andrade de Mello

Oncologista clínico e professor adjunto de Cancerologia Clínica da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ramon Andrade de Mello tem pós-doutorado em Pesquisa Clínica no Câncer de Pulmão no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra) e doutorado (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal).

O médico tem título de especialista em Oncologia Clínica, Ministério da Saúde de Portugal e Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO). Além disso, Ramon tem título de Fellow of the American College of Physician (EUA) e é membro do Comitê Educacional de Tumores Gastrointestinal (ESMO GI Faculty) da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society for Medical Oncology – ESMO), Membro do Conselho Consultivo (Advisory Board Member) da Escola Europeia de Oncologia (European School of Oncology – ESO) e ex-membro do Comitê Educacional de Tumores do Gastrointestinal Alto (mandato 2016-2019) da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (American Society of Clinical Oncology – ASCO).

O oncologista é do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital 9 de Julho, em São Paulo, SP, e do Centro de Diagnóstico da Unimed (CDU), em Bauru (SP).

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