DRA. CRISTIANE MAGACHO FALA SOBRE COMO A MÁSCARA PODE INFLUENCIAR NA FALA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

A fonoaudióloga CRISTIANE MAGACHO, precursora no Brasil da dermatoglifia – uso das impressões digitais para potencializar o tratamento vocal – fala sobre o uso de máscaras por crianças e adolescentes na pandemia. Será que podem prejudicar a fala? 
Cristiane Magacho tem feito lives e vídeo aulas para falar sobre a importância da voz, como ela foi utilizada durante a pandemia em Lives, aulas online, vídeo conferências, bem como a importância da fonoaudiologia para pacientes que foram intubados no coronavírus.
 A profissional, precursora mundial do  estudo da dermatoglifia desde 2013, quando ingressou no programa de Doutorado em Linguística da PUC-SP, é especialista em Voz pela CFFA e mestre em Ciência da Motricidade Humana pela Universidade Castelo Branco. A  dermatoglifia é o estudo científico das impressões digitais, pelo qual é possível analisar o potencial genético do indivíduo (velocidade, força, resistência e coordenação).

– A partir de que idade é indicado o uso de máscara? 
O Ministério da Saúde recomenda  o uso de máscaras para todas as faixas etárias, mas elas podem trazer falsa sensação de segurança e levar ao descuido com a higiene. Na prática, recomendam para crianças acima de 2 anos.
– O uso da máscara pode prejudicar crianças que estejam desenvolvendo a fala? Ou que tenham algum problema relacionado a ela: língua presa, troca de sílabas, omissões de alguns fonemas, gagueira etc. 
 Sim, o uso da máscara pode impedir a criança de se beneficiar, além da pista auditiva, da pista visual. Tanto a aprendizagem, como a alfabetização, ocorrem com a repetição sistemática, que deve ser recheada de modelos lúdicos. Além disso, o uso de máscara impede que o professor ou responsável identifique alguma alteração na fala da criança.
Outra questão importante, é que a máscara abafa o som da voz, fazendo com que adultos e crianças adquiram um comportamento vocal de esforço, podendo levar ao aparecimento de nódulos (calos) nas cordas vocais.
– Existem exercícios de fala que elas podem fazer para que não haja prejuízo?
O que se deve fazer para não haver prejuízo na fala, é optar pelo uso de máscaras transparentes. Também existem vários modelos em acrílico. Quanto à voz, levar em consideração a fala mais lenta, tentar coordenar a respiração com o uso da voz, falar com mais pausas e tentar articular melhor as palavras. 
– Crianças com outros problemas, relacionados a atraso mental, por exemplo, podem sofrer com a necessidade do uso da máscara?
Sim, crianças que apresentam alguma deficiência cognitiva, provavelmente apresentarão dificuldade na aceitação do uso de máscara. 
– Muitas escolas vão retomar as aulas agora em novembro, como as professoras podem facilitar a comunicação com alunos? Que dificuldades poderão ser enfrentadas? 
As professoras podem optar pelo uso de máscaras transparentes e também  pelo uso do microfone para minimizar o abafamento causado pelo uso da máscara. 
– Crianças e adolescentes muito introspectivos podem sofrer ainda mais com o uso da máscara? É possível que haja traumas futuros?
 
Algumas pessoas mais introspectivas têm se beneficiado com o uso de máscara, por se sentirem protegidas (emocionalmente) por trás delas. Outras tantas se sentem incomodadas por terem que aumentar a intensidade da voz na comunicação.
– Que dicas você dá para que os pais e os professores reforcem a importância de usar a máscara, mesmo que seja difícil no dia a dia das brincadeiras, dos papos com os colegas etc?
 Seria interessante que as crianças possam sentir-se confortáveis com a máscara. O modelo transparente é o mais indicado, não só para crianças mas também para educadores. 
 
Dra. Cristiane Magacho (21) 98857-7701
Instagram: @dracristianemagacho

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