CORONAVÍRUS: OS PERIGOS DA SUPLEMENTAÇÃO

Busca por melhora na imunidade leva a procura por vitaminas que, em excesso, podem ser prejudiciais
Desde o início da Pandemia, muito tem se falado sobre os benefícios de algumas vitaminas e minerais – como o Ferro e o Zinco – para a manutenção da imunidade, o que provocou uma corrida às farmácias, em busca de suplementos. Em muitas lojas, o estoque de vitaminas C e D, por exemplo, anda zerado. Mas fazer suplementação de forma indiscriminada, sem qualquer orientação médica ou nutricional pode ser um risco para a saúde. “Quando se pensa em vitaminas, logo vem à cabeça algo que é bom. Mas em excesso, qualquer suplemento pode fazer mal à saúde. Há um risco de overdose e intoxicação”, alerta Taissa Müller, nutricionista do laboratório e clínica Lach, no Jardim Botânico.  Ela ressalta que a maioria dos nutrientes pode ser alcançado com uma alimentação saudável e equilibrada e que algumas vitaminas e minerais só podem ser suplementadas depois de um exame de sangue para detectar a quantidade correta que o organismo precisa.
“Uma alimentação variada, rica em vitamina C, D e zinco dão um ótimo suporte para o sistema imunológico. E em relação à vitamina C, por exemplo, não há necessidade de se gastar dinheiro com suplementos. Cerca de 400ml de suco de laranja (2 copos), por dia, já são suficientes para suprir as 200mg que o organismo precisa. E ainda tem caju, acerola, limão e diversos outros alimentos ricos em vitamina C”, explica Taissa.
A vitamina C melhora a absorção de ferro e fortalece o sistema imunológico, mas se ingerida em excesso por um longo período, pode afetar o funcionamento dos rins e até mesmo interferir na ação de medicamentos.
Já o excesso de Zinco pode acarretar sintomas como um sabor metálico na boca, dores de cabeça, vômitos, diarreia e também reduzir a eficácia de antibióticos e de outros medicamentos. Encontrado em carnes em geral, castanhas, nozes e sementes como chia, de abóbora, girassol. Nosso sistema imune possui enzimas que são dependentes do zinco e estudos mostram que o nutriente combate o cansaço físico e mental, aumenta os níveis de energia, melhora a memória e regula a produção de diversos hormônios. “Uma boa alternativa aos suplementos é incluir as sementes numa salada ou no arroz, por exemplo”, ensina Taissa.
Já a vitamina D, além da imunidade, é associada a diminuição de cansaço, fraqueza muscular e como auxiliar no combate a doenças respiratórias. Mas a suplementação só pode ser feita depois de medir os níveis em exame de sangue. “O salmão é um peixe rico em vitamina D e existem alguns alimentos no mercado que adicionam a vitamina D artificialmente. Mas a melhor forma de garantir a vitamina D é tomando sol! Vinte minutinhos por dia são suficientes. Em idosos, grávidas, pessoas obesas ou com doenças crônicas, a suplementação pode ser necessária. Mas o exame é fundamental para definir a dose diária necessária”, afirma a nutricionista, alertando que excesso de vitamina D pode causar mal-estar e até mesmo uma elevação de cálcio no sangue e consequentes problemas renais. Portanto, vale a regra para todo tipo de medicação: procurar um especialista para avaliar e receitar o que for necessário, nas doses certas para cada indivíduo.

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