Cirurgia com robôs? Especialistas explicam vantagens e diferenças

Na proctologia, por exemplo, a cirurgia robótica traz mais precisão que a laparoscopia usual e é opção segura no tratamento de cânceres intestinais.

Um dos campos que mais cresceu com a robótica foi a proctologia. A cirurgia é o principal tratamento para os cânceres de cólon e reto, que chegam a acometer cerca de 50 mil pessoas por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Com a visão 3D, as cirurgias com robôs têm trazido bons resultados, isso porque, segundo especialistas, usar robôs nesses casos pode trazer menos complicações ao paciente oncológico.

“A imagem é melhor que a da cirurgia laparoscópica usual e mostra mais detalhes. O robô tem também mais precisão e mobilidade”, explica Fábio Lopes, coloproctologista do Grupo Onco Procto, do Felício Rocho, hospital referência em cirurgias robóticas em Minas Gerais.

Bons resultados

Um estudo publicado no Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI) dos Estados Unidos comparou a laparoscopia normal com a robótica e mostrou que robôs podem realmente trazer bons resultados. Segundo a publicação, a taxa de conversão, o tempo de internação (pelo menos 12 horas a menos) e as complicações foram menores no grupo de pacientes que passaram pela colectomia robótica.

Para Fábio Lopes, o principal benefício da cirurgia robótica é essa diminuição do risco de conversão, como cita o estudo. Ou seja, o risco de uma cirurgia minimamente invasiva exigir que se faça um corte no abdômen para seguir o método convencional é menor.

Como funciona

Em uma cirurgia para câncer no intestino minimamente invasiva, são feitas pequenas incisões no abdômen e o médico-cirurgião tem autonomia para controlar o robô e a câmera. “A mão humana não gira 360 graus, por exemplo, já o robô permite que isso aconteça e traga mais mobilidade na operação. A câmera também fica fixa, de modo que o robô elimina eventual tremor, como acontece com a mão humana”, comenta o cirurgião e também coloproctologista do grupo Onco Procto, Rodrigo Paiva.

O médico ainda explica que algumas emendas são mais fáceis de serem executadas com o auxílio de robôs, principalmente quando são feitas em locais de difícil acesso no abdômen. “A cirurgia minimamente invasiva realizada com mais precisão, como acontece ao usar robôs, tem mais chances de sucesso, o que inclui menor tempo na recuperação do paciente, por exemplo. Temos visto isso na prática”, comenta Paiva.

Robôs

Existem dois tipos de robôs para esse tipo de cirurgia no Brasil, o XI e o SI. O Hospital Felício Rocho utiliza o modelo SI, conhecido como Da Vinci, e já atingiu a marca de mais de 1000 cirurgias realizadas pelo método, em diferentes especialidades, desde que começou a usar robôs, em 2017. “Acredito que, ao longo dos anos e com mais estudos na área, a cirurgia robótica seja cada vez mais utilizada em diferentes especialidades”, conclui Fábio Lopes.

Sobre o Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho:

O Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho é composto por um corpo médico altamente capacitado que atua no diagnóstico e tratamento de tumores do cólon, reto, ânus e peritônio. Além de consultas e exames simples, os profissionais do grupo também realizam procedimentos de alta complexidade, como cirurgia citorredutora, quimioterapia intraperitoneal, cirurgia videolaparoscópica e cirurgia robótica. Para oferecer um atendimento completo, o grupo conta com as especialidades médicas de coloproctologia, oncologia, radioterapia, genética, nutrologia e cuidados paliativos. Entre as especialidades não médicas estão psicologia, fisioterapia e nutrição. Ricardo Cembranelli, Rodrigo Paiva e Fábio Lopes são alguns dos médicos que compõem o Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho.

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