10 RAZÕES PARA A MULHER NÃO FAZER MAMOGRAFIA

Uma série de estudos apontam para a incapacidade da mamografia em reduzir a mortalidade pelo câncer de mama e para os perigos da mamografia, decorrentes de vários fatores.  As informações que se seguem são um resumo dos dados científicos disponíveis em várias fontes, inclusive o site do INC- USA (Instituto Nacional do Câncer – EUA).

**Dra. Lucy Kerr – formada em medicina pela USP pós graduou-se em Ultrassonografia Diagnóstica pela Wake Forest University, completando seus estudos na Thomas Jefferson University, ambas nos EUA.

  1. A exposição anual à radiação propicia o surgimento do câncer mamário (denominado de câncer radiogênico). Se te disseram que esse perigo é desprezível, te enganaram. Cada mamografia anual (emite radiação ionizante) contribui para o desenvolvimento de câncer de mama, que não surge de imediato, mas atinge seu apogeu após cerca de 10 anos de exposição.
  2. A compressão demasiada do tecido mamário durante o exame contribui para que o câncer se espalhe pelo restante do corpo.  A compressão forte e dolorosa das mamas, durante o exame, pode propiciar a ruptura de pequenos vasos ao redor do tumor que, por estar presente, pode disseminá-lo pela corrente sanguínea, contribuindo para que o câncer se espalhe pelo restante do corpo.
  3. Atraso no diagnóstico do câncer que está presente, mas não é detectado pela mamografia, o que é denominado de falso-negativo.  Isso significa que o tumor estava presente quando o exame foi realizado. Ocorre principalmente nas mamas densas, característica de quase metade da população feminina. Portanto, a mamografia definitivamente não é o método aceitável para essa população, embora coincidentemente seja o grupo que tem a maior incidência do câncer de mama. Os métodos de imagem capazes de melhorar a detecção do câncer de mama de forma inócua são, em especial, a Ultrassonografia (principalmente se associada ao Doppler e Elastografia- o método tríplice) e a Termografia.
  4. As chances de cura reduzem quando há atraso no diagnóstico e tratamento do câncer de mama devido a uma mamografia falso-negativa (piora o prognóstico). As mulheres mais jovens e as com mamas densas de qualquer idade são as que mais frequentemente o câncer não é detectado na mamografia, justamente devido à grande densidade das mamas dessas mulheres, o que impede a penetração adequada da radiação e diminui a resolução de contraste, ou seja, a capacidade da mamografia diferenciar entre o câncer e o tecido próprio da mama (ambos se mostram com uma só densidade na mamografia). Todos os estudos que analisam os falso-negativos da mamografia concluíram que a mama densa é a principal causa e esse problema é insolúvel, pois é uma limitação do princípio físico da mamografia.
  5. Um terço de todos os casos de câncer de mama surge no intervalo entre as mamografias, e é denominado de Câncer do IntervaloEsses são os detectados, geralmente pela própria mulher ao se palpar, às vezes até um mês após ter realizado a mamografia e ser tranquilizada pela ”ausência do câncer naquele exame” e é surpreendida por ter o câncer que mais temia e são mais frequentes durante o período reprodutor. Quando o tumor é diagnosticado em estágio avançado são geralmente mais agressivos, podem dobrar de tamanho até a cada 2 meses e têm maior probabilidade de soltarem raízes por todo corpo (metastatizarem). E, consequentemente, são os mais difíceis de serem tratados e curados. A mamografia jamais conseguiu reduzir a incidência do câncer de intervalo, onde quer que fosse implantada e, sem reduzir os casos que estão avançados quando descobertos, não conseguiu reduzir a mortalidade do câncer de mama.
  6. Não ter, mas ser diagnosticada como tendo câncer, o que é denominado de falso-positivo.  Diagnósticos falsos de câncer realizados pela mamografia são particularmente frequentes nas mulheres durante o período reprodutor e na menopausada, em uso de hormonioterapia de reposição, acarretando ansiedade, mais mamografias, biópsias, nodulectomias, mastectomias, radioterapias e até quimioterapias, todas desnecessárias e prejudiciais à saúde da mulher. Um de cada três cânceres detectados pela mamografia não existe ou jamais se tornaria invasivo, mas a mulher fica catalogada como tendo o câncer, passando por muito stress e graves problemas psicológicos, que podem acarretar até suicídios, cuja taxa amenta 14 vezes no primeiro ano e sete vezes no segundo e terceiro ano após ser diagnostica com o câncer. E isso tudo sem ter o câncer.
  7. Diagnóstico exagerado, seguido de tratamento excessivo, um problema grave e comumente ignorado pelas mulheres. Após um diagnóstico exagerado (diagnosticam algo mais grave do que a paciente tem) a mulher pode ter um sério agravante, que é passar por um tratamento maior e mais agressivo do que necessitaria, sendo este considerado atualmente um dos grandes males da mamografia.
  8. Baixo controle de qualidade. Nos laboratórios de radiologia os laudos de mamografia podem conter erros graves decorrentes da má qualidade do exame. Aqui no Brasil o Dr. Hilton Augusto Koch da Universidade Federal do Rio de Janeiro realizou o mais completo estudo sobre Controle e Manutenção da qualidade em Mamografia e constatou que a má qualidade das mamografias prejudicava a conclusão diagnóstica e isto, somado ao mal diagnóstico gera falso-positivos e falso-negativos, constituíam-se em enormes prejuízos à população feminina.
  9. A mamografia não reduz a mortalidade por câncer dmama, deixando de realizar justamente o propósito pelo qual ela foi introduzida no diagnóstico médico. Apesar de se afirmar a muito tempo que a mamografia realizada periodicamente reduz a mortalidade por câncer de mama, esse fato jamais foi comprovado. Na realidade, a vasta maioria dos cânceres não é afetada pela detecção precoce e há uma forte evidência favorecendo que a principal variável que determina a probabilidade de sobrevivência da mulher com câncer de mama é o determinismo biológico do tumor, uma combinação de virulência do tipo específico do tumor e a resposta do hospedeiro ao desenvolvimento dele, que seria muito importante e a detecção precoce teria que ser quando o tumor ainda não atingiu 10 mm de tamanho, o que nenhum rastreio mamográfico conseguiu até o presente nos casos de mamas densas em mulheres jovens, aqueles que justamente são os cânceres mais agressivos.
  10. Mamografia é um exame superado por outros mais modernos e eficientes, particularmente pela ULTRASSONOGRAFIA ASSOCIADA AO DOPPLER e a ELASTOGRAFIA (MÉTODO TRÍPLICE) – já em uso em países asiáticos e a TERMOGRAFIA, especialmente quando associada ao Método Tríplice (método quadrangular).  Todo método de rastreio tem que ter como princípio fundamental não causar nenhum prejuízo à vida e à saúde, pois serão utilizados inúmeras vezes durante a vida. Atualmente os únicos métodos sem efeito biológico e passíveis de serem repetidos quantas vezes forem necessárias no rastreio do câncer de mama durante a vida da mulher são a US, o Doppler, a Elastografia e a Termografia.

A Ultrassonografia, pelo princípio acústico analisa a morfologia da mama e rastreia os tumores, caso estejam presentes e distingui-os dos tecidos normais. O exame Doppler avalia o tipo de vascularização da mama e dos nódulos mamários, utilizando para esse fim o princípio Doppler, totalmente diferente do princípio acústico e que é capaz de “ver” o que está em movimento, como o sangue. A Elastografia utiliza o princípio da elasticidadepara analisar a dureza dos tecidos e dos tumores, ajudando a diferenciar os nódulos benignos dos malignos. E já foi estabelecido em consenso internacional que se a elastografia detecta padrão benigno em nódulo considerado inconclusivo na US (Birads 4), pode reduzir a classificação para Birads 3, o que é um grande avanço no sentido de diminuir as biópsias desnecessárias.

Dra. Lucy Kerr –  mini currículo
É uma das pioneiras da utilização da ultrassonografia como método de diagnóstico no Brasil, sendo reconhecida nacional e internacionalmente como especialista e estudiosa do método.
É Presidente-fundadora da SBUS – Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, tendo permanecido no cargo três gestões consecutivas e Presidente-fundadora da FISUSAL – Federação Internacional de Sociedade de Ultrassonografia da América Latina, tendo permanecido no cargo de 1998 a 2011.
Recebeu duas comendas, a da Ordem do Mérito Médico, em 1991 por designação do então Presidente do Brasil, José Sarney e a comenda da Ordem do mérito Ultrassonográfico em 2012 da SBUS.
É formada em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), pós graduou-se em Ultrassonografia Diagnóstica pela Wake Forest University como bolsista do CNPq e complementaram seus estudos na Thomas Jefferson University, ambas nos EUA.
Possui títulos de Especialistas em Ultrassom em seis Sociedades Científicas, sendo 4 nacionais, inclusive a SBUS e AMB, assim como e 2 internacionais  ARDMS e FISUSAL.
De 2002 a 2006 foi professora da disciplina de Ultrassonografia da UNISA, a primeira criada no Brasil e chefe do departamento de Imagenologia desta universidade.
Já proferiu mais de 400 palestras em congressos, jornadas, simpósios, reuniões científicas, seminários, fóruns, debates, mesas-redondas e encontros científicos. Organizou mais de 40 eventos científicos, presidiu 12 congressos de Ultrassonografia, publicou 60 artigos de ultrassom e escreveu 21 livros e capítulos de livros, sendo o último “Ultrassonografia e Doppler Gastrointestinal”. Os sinais ultrassonográficos que descreveu, hoje, são internacionalmente utilizados e citados em livros e publicações cientificas.
É presidente do IKERR-Instituto Kerr, onde ministra cursos à distância e presenciais. Atualmente é diretora da Sonimage, Diagnóstico médico por Ultrassom, onde introduziu em 2010 o método tríplice: Ultrassonografia associada ao Doppler e elastografia, sendo referência no método.

Obs.: Os itens tem embasamento em uma extensa bibliografia, que pode ser encaminhada para checagem caso haja interesse da imprensa, em conhecer as fontes.

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