Paixão x Lucro: o futebol brasileiro está preparado para lidar com clubes-empresa?

A chegada do agora chamado Red Bull Bragantino na série A do Campeonato Brasileiro trouxe à
tona as discussões sobre a regulamentação da transformação dos clubes de futebol em
empresas. Historicamente os clubes no Brasil se organizam no modelo de Associação Sem Fins
Lucrativos, isso porque no princípio tinham essência amadora, sem visão e objetivo de lucros.
Red Bull Bragantino foi campeão da Série B do Campeonato Brasileiro e em 2020 disputa entre
a elite do futebol brasileiro. | Foto: Reprodução Instagram (redbullbragantino)
Já aprovada pela Câmara dos Deputados, a mudança é recebida com olhares duvidosos entre
especialistas das áreas do direito, da economia e do esporte. Com essa transformação uma vez
que se insere os clubes nos modelos de Sociedades Anônimas ou Limitadas, estes poderão ter
novas possibilidades de negociação de dívidas, estarão abertos para receber investimentos de
capital estrangeiro e nacional. Além disso, a transformação traz consigo desafios como a
elaboração de estatutos, realização de assembleias para associados e, claro, o seguimento de
todos os deveres previstos no Código Civil, inerentes a qualquer empresa.
Dra-Luciana-Lopes.jpegPor outro lado, para mais do que as questões econômicas dos clubes-empresa, a advogada
desportiva Luciana Lopes ressalta a questão afetiva existente neste assunto.
– A questão seria fácil se estivéssemos tratando somente de bens, o caso estaria resolvido. Mas,
particularmente, eu entendo que a questão vai muito além, porque empresas tratam de bens e
futebol trata de paixão. Um clube de futebol busca títulos e uma empresa busca lucros – explicou
a advogada em entrevista ao programa “Comenta Quem Sabe”, da FOX Sports Brasil.
Dra Luciana relembrou ainda um caso recente no futebol carioca, quando o Fluminense reduziu
o valor dos ingressos de uma partida para que a torcida estivesse presente em grande número
para apoiar o time. “Se esse clube fosse empresa, a empresa aceitaria não ter lucro para ter
resultado dentro de campo?”, questionou. Para a advogada, a transformação dos clubes em
empresas exige uma atenção detalhada às características dos clubes brasileiros e do cenário
atual que ele se encontra.
– Um fator que tem sido bastante discutido também seria a possibilidade do cumprimento dos
contratos e tratos feitos em gestões anteriores, aumentando a possibilidade de serem
cumpridos a longo prazo, o que muitas vezes não é possível no nosso futebol. Isso porque tem
eleições periódicas nos clubes e as gestões eleitas nem sempre dão sequência ao que foi
prometido pela anterior – citou a advogada especialista em direito desportivo.

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