APRENDIZAGEM DURANTE A PANDEMIA: COMBATE AO TRABALHO INFANTIL

Com a Covid-19, as escolas tiveram de ser fechadas e o crescimento do desemprego gerou a queda da renda de muitas pessoas. Assim, com as desigualdades sociais ampliadas, muitas meninas e meninos viram no trabalho uma oportunidade de ajudar suas famílias.

Neste contexto, o  UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), recentemente, tem alertado  para o aumento do trabalho infantil durante e após a pandemia e os danos disso para a sociedade: “além de impactar o desenvolvimento dessas crianças, o trabalho infantil pode reproduzir ciclos de pobreza nas famílias e ampliar as formas de violação de direitos”.

Ainda segundo o órgão, uma das formas de impedir esse cenário do crescimento do trabalho infantil é “oferecer opções de aprendizagem e trabalho protegido, dentro da lei”. Pois, segundo a Constituição Federal, o trabalho de menores de 16 anos no Brasil é proibido, exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos.

Essa regulação permite que meninas e meninos que cursam a escola regular no ensino médio tenham oportunidades de formação técnico-profissional, evitando, assim, a exploração do trabalho infantil.

Por isso, a OSC – Organização da Sociedade Civil, Vocação, remodelou sua metodologia para manter ativo o Programa de Aprendizagem, focado na preparação e inserção de jovens no mercado de trabalho, com apoio na Lei de Aprendizagem (10.097/2000). Atualmente, a Vocação possui 28 empresas parceiras que empregam jovens que concluíram o programa. Entre elas, Arezzo, Itaú, Bloomberg Philanthropies, M Cassab, Hasbro, Stone, dentre outras. Desde 2016, a OSC já deu oportunidade para 594 jovens que seguem empregados ou em condições de empregabilidade.

Durante a pandemia, o trabalho de formação de jovens foi adaptado para continuar com os treinamentos de forma online:

“Neste cenário atípico de isolamento social, o Programa Jovem Aprendiz Vocação teve que se adaptar; toda as  equipes — pedagógica, administrativa e de assistência social –, em um esforço coletivo, têm mapeado as novas necessidades e reformulado sua forma de atuar para garantir atendimento e formação desses jovens em maior vulnerabilidade social“,  declara Josmael Castanho, gerente do Centro de Integração ao Mundo do Trabalho da Vocação.

O formato original do programa que, antes do novo coronavírus, contava com aulas presenciais e exercícios práticos de habilidades realizados dentro das empresas, agora é totalmente remoto.

Os conteúdos teóricos foram adaptados para vídeos e as interações são realizadas online, por meio de plataformas digitais. Além disso, em alguns casos que há falta de acesso às tecnologias, a equipe pedagógica envia o material impresso a esses jovens para que eles tenham a oportunidade de acompanhar os conteúdos.

A Vocação também tem buscado outros caminhos para driblar essas questões tecnológicas que podem comprometer o aprendizado; entre elas está o atendimento via chat, telefone e canal exclusivo criado no WhatsApp. Dessa forma, os mentores podem passar conteúdos e atividades, receber exercícios propostos e tirar dúvidas.

A falta de computadores, tablets, celulares e conexão são, de fato, os maiores empecilhos para que essas pessoas consigam manter o ritmo dos estudos durante a fase de distanciamento social, mas não são os únicos problemas.

Assim, jovens e seus familiares recebem suporte constante do Serviço Social da Vocação para identificar as dificuldades que vão se apresentando. O papel da equipe é monitorar a situação familiar e de aprendizagem destes jovens e criar soluções de forma integrada para dar orientações necessária para que esses problemas não tenham, como consequência, o abandono da aprendizagem e, consequentemente, o aumento do trabalho infantil.

 A Vocação

Há 53 anos, a Vocação atua para impactar a vida de crianças, adolescentes e jovens da Zona Sul do Município de São Paulo e regiões de M’Boi Mirim, Itapecerica da Serra e Embu Guaçu, visando construir uma dinâmica social mais justa e igualitária.

A Vocação defende um país rico em oportunidades, onde pessoas e comunidades se desenvolvam em plenitude. Assim, promove práticas de aprendizagem e cidadania e desenvolve crianças e adolescentes por meio do fortalecimento de Comunidades, Lideranças, Famílias e, também, atendimento direto. Além disso, fortalece o pessoal e o profissional, gerando oportunidades de trabalho.

Hoje, seu trabalho desenvolve-se  por meio de dois pilares: Desenvolvimento Integral e Comunitário e Integração ao Mundo do Trabalho, que busca por meio do protagonismo, ações de cidadania, capacitação profissional e inserção no Mercado de Trabalho, preparar cidadãos para a vida; com mais autonomia, conhecimento e experiência para impactar a sociedade de forma positiva.

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