Espetáculo Antígona é tema da nova coleção digital do CPT_SESC 

No dia 5 de abril entra no ar a coleção digital dedicada à montagem de Antígona, produzida em 2005 sob direção de Antunes Filho. A mostra, disponibilizada pelo Centro de Pesquisa Teatral do Sesc São Paulo, se junta a outras cinco – A Pedra do ReinoA Hora e Vez de Augusto MatragaXica da Silva, Fragmentos Troianos e Medéia e Medéia 2 – disponíveis na plataforma Sesc Digital.

 

As Coleções e Acervos Históricos CPT_SESC trazem ao público seleções dos figurinos e outros itens de peças encenadas pelo Centro de Pesquisa Teatral em seus 38 anos de trajetória. No caso de Antígona, serão 25 imagens de figurinos feitas por Bob Sousa (em altíssima resolução, que podem ser ampliadas para observação dos menores detalhes), a coleção também apresenta fotografias de cena feitas por Nilton Silva e peças gráficas, dentre elas as utilizadas na divulgação de sua passagem pela Espanha.

 

Nas fotos de Silva é possível conferir o cenário proposto por J.C. Serroni, inspirado nos cemitérios verticais, com nichos e gavetas, por onde os personagens entravam em cena. De acordo com o cenógrafo, a ideia surgiu a partir da informação de que partes inteiras de monumentos – paredes, colunas – foram levadas para museus na Europa, em decorrência dos conflitos no Oriente Médio. Dessa forma, o cenário de Antígona representa uma dessas paredes, exposta como se estivesse num museu. Um relato, em vídeo, de Serroni (responsável pelos figurinos da peça) também faz parte da mostra.

 

O espetáculo marca o retorno da parceria entre Antunes Filho e J.C. Serroni. A primeira tentativa da dupla de levar Antígona aos palcos foi nos anos 1990, porém, o diretor achava ainda não ter encontrado os atores que correspondiam à sua expectativa. Mais tarde, em 2005, a partir do desenvolvimento de seu método voltado à preparação do ator – em especial a preocupação com a voz, observada em Fragmentos TroianosMedéia e Medéia 2 – Antunes retomou o projeto, completando o ciclo de adaptações das tragédias gregas. As peças compartilham entre si alguns elementos como o forte trabalho vocal e corporal, o mergulho do universo feminino e se inspiram em textos clássicos para abordar questões contemporâneas.

A versão de Antunes para a tragédia de Sófocles

 

Antígona é a continuação dramática de Édipo Rei e terceira e última tragédia que compõe a trilogia sobre a cidade de Tebas. A personagem que dá nome à tragédia é uma das filhas de Édipo e luta pelo direito de enterrar seu irmão Polinice com as honrarias tradicionais dos funerais. Direito esse que havia sido negado por Creonte, tio de Antígona, que naquele momento governava o reino.

 

Milhares de interpretações foram dadas à versão de Sófocles para o mito de Antígona, escrito por volta de 442 a.C. A proposta de Antunes Filho, levada ao palco pela primeira vez pelo grupo Macunaíma, em 2005, respeita a poética do dramaturgo grego impregnada de religiosidade e a atualiza, buscando os fundamentos da própria tragédia e os tornando acessíveis aos dias atuais.

 

O recurso básico utilizado na encenação é o “teatro dentro do teatro”, ou “metateatro”, e assume que a tragédia é uma forma de expressão da totalidade, observando o ser humano na relação direta com o divino e não mediado por valores da realidade. Como Antunes disse, em entrevistas na época, Dionísio (ou Baco, em latim) é o deus que guia o enredo, o eterno retorno e a atualização do mito estão presentes nos acontecimentos cênicos, como em qualquer rito cuja função é religar o atual com o ancestral, o humano com o divino.

 

As coleções

Com a adição de Antígona, seis coleções digitais do acervo histórico do CPT_SESC já estão disponíveis para serem visitadas na plataforma Sesc Digital.

A primeira delas foi lançada em setembro de 2020: A Pedra do Reino (2006), sobre a encenação de Antunes e do grupo Macunaíma, com base na obra de Ariano Suassuna.

Em outubro, foi disponibilizada a mostra sobre A Hora e Vez de Augusto Matraga (1986), baseada em conto de Guimarães Rosa. A peça marcou o encontro de Antunes com Raul Cortez e foi definida pelo ator como um marco em sua carreira.

Xica da Silva (1988) ganhou coleção em novembro. Protagonizada pela atriz Dirce Thomaz, a peça foi fundamental na trajetória e evolução do grupo com o uso da cenografia como elemento narrativo, mais do que simples recriação realista de um espaço, era parte efetiva na criação de significados no relacionamento com atores e texto.

Em dezembro, entrou no ar a coleção de Fragmentos Troianos (1999), a primeira de um ciclo de adaptações de tragédias gregas realizada pelo CPT, um mergulho no universo feminino e no processo de criação focado na busca do que Antunes chamou de a sonoridade trágica, uma forma de interpretar tragédias no palco.

Em fevereiro de 2021 foi ao ar Medéia e Medéia 2 (de 2000 e 2001, respectivamente). A base do enredo é a peça de Eurípides sobre o mito grego de Medéia, de 431 a.C. Cenário e o figurino remetem a um contexto de guerra, com figurinos em tons de cinza, preto e branco para fazer com que os atores se diluam nesse espaço e suas vozes (e o que estão dizendo) fiquem em primeiro plano.

 

Serviço

05/abril/2021 

ANTÍGONA – Coleções e Acervos Históricos do CPT_SESC [disponíveis na plataforma Sesc Digital]

Figurinos, objetos de cena e materiais gráficos em coleção digital que apresenta o acervo do espetáculo Antígona, estreado em 2005, com direção de Antunes Filho.

 

Sobre as Coleções e Acervos Históricos CPT_SESC

As Coleções e Acervos Históricos CPT_SESC trazem ao público seleções dos figurinos e outros itens de peças encenadas pelo CPT em seus 38 anos de trajetória. Um minucioso trabalho de pesquisa possibilitou a recomposição e restauro de 150 trajes cênicos compostos por 470 itens, de 13 espetáculos. Em seguida, os figurinos foram registrados pelo fotógrafo Bob Sousa, fotos essas que hoje são o fio condutor das Coleções que estão disponíveis no Sesc Digital.

A guarda do acervo de figurinos e demais documentos do CPT_SESC integra as ações do Sesc Memórias – programa do Sesc São Paulo dedicado a preservar a memória da instituição.

 

Sobre o Sesc Memórias

Implantado e coordenado pela Gerência de Estudos e Desenvolvimento (GEDES) do Sesc São Paulo, o Sesc Memórias foi criado, em 2006, para reunir, sistematizar e disponibilizar a documentação produzida e/ou acumulada pelo Sesc, com o propósito de preservar o seu patrimônio histórico e disseminar sua memória institucional. Assim, o processo de salvaguarda dos materiais – tanto os de conteúdo programático quanto os vinculados à própria existência das Unidades e órgãos da Administração Central – busca contribuir para a reflexão acerca do trabalho desenvolvido pelo Sesc, nos programas Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência. Volta-se, também, à promoção de pesquisas e de produção de conhecimentos, na medida em que oferece ao público interno e externo informações qualificadas, reforçando a memória como um valor a ser cultivado.

Caracterizado como um centro de documentação, o acervo do Sesc Memórias reúne informações que dizem respeito às ações do Sesc desde a sua criação, em 13 de setembro de 1946. Em diferentes gêneros, suportes, formatos, tipos e dimensões, a relação documental compreende materiais de divulgação, imagens, produtos institucionais, projetos e relatórios.

 

Sobre o CPT_SESC

O Centro de Pesquisa Teatral foi criado em 1982 como laboratório permanente de criações teatrais, formação de atrizes, atores, dramaturgas e dramaturgos. Ao longo das décadas, ganhou reconhecimento da crítica e de seus pares no Brasil e em outras partes do mundo como referência no fazer teatral. Foi coordenado por Antunes Filho por 37 anos. Agora, passados quase dois anos da morte do diretor, o CPT_SESC propõe expandir suas ações em busca do constante desenvolvimento que o teatro contemporâneo exige, mantendo o diálogo com o seu legado.

Em tempos de distanciamento social, a programação do CPT acontece on-line, ampliando o acesso ao Centro que é referência da área teatral, formou mais de mil profissionais das artes cênicas e criou dezenas de espetáculos.

A programação, disposta em cinco eixos temáticos – Formação de Atores; Criação e Experimentação; Dramaturgia; Cenografia; e Memória, Acervo e Pesquisa – apresenta ciclos de debates, mostras digitais, cursos, podcasts, oficinas, entre outras atividades, com artistas e técnicos de diversas formações e instâncias da produção teatral, a fim de buscar a realização de um trabalho interdisciplinar a que sempre se propôs o CPT_SESC.

 

 

Confira a programação completa em www.sescsp.org.br/cpt e nas redes sociais:

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