Com 35 anos de carreira, o tenor Marcio Valle, ex-integrante do Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo, parte para realizar projetos dos seus sonhos em carreira solo

Coragem de mudar o confortável e atitude para encarar um novo momento na carreira após os 65 anos é para poucos. O músico que atua no segmento erudito sonha em ter estabilidade no trabalho e manter sua carreira com as belas oportunidades que essa escolha permite. Mas, isso já não era o bastante para o tenor Marcio Valle. Ele que, por 23 anos foi integrante do Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo, com carteira assinada, pediu demissão em 2018. Motivo: atuar em carreira solo, violão e voz, com um repertório absolutamente requintado cantando Modinhas e Canções Brasileiras do século XIX e XX.

“Minha carreira no canto erudito foi de vital importância para meu desenvolvimento artístico musical. Adquiri uma experiência fabulosa e tive a honra e oportunidade conhecer e atuar com músicos, diretores de teatro, compositores e maestros nacionais, como Diogo Pacheco e Eliezer de Carvalho, bem como estrangeiros, cantando sob a regência de ÊnioMorricone, lenda da música do cinema internacional que compôs obras como a trilha do filmes Cinema Paradiso. Nesses anos todos eu fiz muitas participações como solista, mas ultimamente sempre ouvia minha voz mixada com a de outros cantores. Isso faz com que a gente perca a referência da nossa voz. Por isso resolvi trazer minha voz de volta num projeto pelo qual sou apaixonado. Cantar modinhas brasileiras”, explica o Tenor.

Dono de uma voz particular e tendo participado de muitos musicais, óperas, operetas, cantatas, missas, oratórios, poemas vocais sinfônicos e outros, Marcio Valle sabe que sua experiência o chancela para mudar derumo, porque não, a essa altura da carreira. Para ele, conseguir viabilizar shows como solista onde o repertório de Modinhas seja apresentado, é um sonho que ele traz consigo desde que percebeu que sua voz é feita sob medida para esse tipo de repertório. Ele está ávido por concretizar o projeto. Principalmente porque o canto é sua escolha como artista, de vida e de trabalho. Mas nem sempre foi assim.

O menino que passou a infância entre o sertão de Minas Gerais, onde nasceu, na década de 40, numa família de 15 irmãos, talvez jamais imaginasse que por cantar em dueto com o pai pastor e organista na Igreja Batista, optaria pelo canto lírico como carreira, quando ainda vestia calças curtas. Tanto não acreditou que trabalhou primeiro como técnico de som na Rádio Nacional de Brasília. Foi só aos 32 anos, incentivado pelos amigos, que ele passou a estudar canto, Oboé e teoria musical na Escola de Música de Brasília.  Formou, então, um Octeto vocal masculino com amigos. Dali veio sua particular competência em cantar em corais.

Corajoso, saiu de Brasília em 1994 para participar de um concurso enfrentando fortes concorrentes para ingressar no Coral Sinfônico do Estado de São Paulo. No ano seguintefoi contratado. E desde então participou de inúmeros projetos. Por dez anos foi integrante do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo e de 1995 a 2018, concursado, passou a integrar o Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo. Atuou em todas as temporadas líricas deste teatro até maio de 2018.

Agora seu encontro será com Antonio José da Silva; Chiquinha Gonzaga; Carlos Gomes; Ernesto Nazareth e muitos outros compositores brasileiros que serão relembrados e homenageados pela intepretação apaixonada desse brasileiro, sertanista, mineiro, sim senhor.

O projeto “Modinhas e Canções Brasileiras do Século XIX e XX”, foi apresentado em projetos de leis de incentivo, mas também pode ser contratado em contato com o próprio cantor pelo e-mail valletenor@gmail.com  ou pelo telefone 11 96565.7400.

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